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The Division 2 traz grandes surpresas no conteúdo do fim do jogo

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Desde a apresentação na E3 2018, os desenvolvedores de The Division 2 têm focado seus esforços no conteúdo que surge após o fim da campanha principal. É um tópico recorrente em muitos jogos de tiro online, como Destiny 2 e Anthem, e considerado fundamental para determinar a longevidade desses títulos. E esse é um ponto que os criadores do The Division original conhecem muito bem.

Jogadores que terminaram a campanha principal do primeiro jogo logo caíram num ciclo repetitivo. A Ubisoft eventualmente revisou muitas das mecânicas e adicionou alterações em novos encontros, revitalizando a longevidade de The Division. No entanto, muitos jogadores que só experimentaram a versão original do game acabaram perdendo as novidades trazidas depois.

Nessa sequência, a publisher não quer cair nas mesmas armadilhas do jogo original, ao mesmo tempo que busca dar um propósito maior à campanha principal. Recentemente, o GameSpotteve a chance de dar uma olhada no beta fechado do jogo – que estará disponível de 7 a 10 de fevereiro – e ter um gostinho das primeiras horas de história e de um pouco do conteúdo de endgame.

Reconstrução

O jogo começa com você se estabelecendo nesse cenário turbulento de uma Washington D.C. pós-colapso, mas as coisas ficam ainda mais caóticas após a conclusão dos eventos da história principal. No endgame, você é forçado a defender tudo que conseguiu construir.

No evento de The Division 2, os desenvolvedores gastaram algum tempo refletindo sobre o que aprenderam do primeiro game original e detalharam a abordagem adotada para a sequência.

“Uma das melhores coisas em The Division 2 é a importância do pós-jogo e o nosso foco nisso”, disse o diretor criativo Julian Gerighty. “Nós lançamos The Division 1 com muito pouco conteúdo pós-campanha principal. Era uma grande campanha, você alcançava o nível 30, o pós-jogo começava, mas ele carecia de atividades. Estávamos tentando operar esse jogo vivo, embora víssemos coisas que não funcionavam a longo prazo”, contou.

Foi por isso que tomamos uma decisão tão difícil após o patch 1.4, que foi interromper todas as funcionalidades e DLCs que estavam planejadas para focar em questões de tecnologia e em melhorias para colocar o jogo onde queríamos que ele estivesse. Tudo isso contribuiu para alimentar o que trouxemos para a produção de The Division 2, assim como a parte criativa”, ele explica.

Hoje, o primeiro The Division é um jogo bem diferente do que era no seu lançamento – e para melhor. Por isso, o segundo episódio da franquia vai trazer muito do que foi acertado no jogo original após suas atualizações.

Isso inclui as recompensas da atualização 1.2, os tiers globais do pacote 1.4, as armas exóticas da atualização 1.6 e a arena PvP (jogador x jogador) do pacote 1.8. Todas essas funcionalidades estarão disponíveis já no lançamento, enquanto que as futuras atualizações do primeiro ano de jogo serão disponibilizadas gratuitamente para todos. Isso serve não apenas para seguir a pegada de The Division como também para assegurar que a comunidade de jogadores permaneça engajada.

Um novo começo

Um novo jogo também significa um novo começo para todos os jogadores. Enquanto que o primeiro The Division era ambientado em Manhattan, Nova York, The Division 2 traz um novo grupo de agentes à capital dos Estados Unidos. São novos sistemas e eventos globais que ocorrem no campo de batalha, apresentado mais momentos e oportunidades para deixar uma grande marca nesse mundo.

No começo da demo, nossa primeira missão foi retomar o controle da Casa Branca do controle de uma facção rival. O local se torna sua base de operações logo depois. Ao longo da campanha, a Casa Branca cresce em influência e número de seguidores à medida que você expande o alcance da agência ao longo de toda Washington.

A fim de reafirmar o controle da cidade, você vai organizar novos assentamentos e interagir com personagens-chave que vão ajudá-lo em sua ascensão ao poder. Alguns personagens não jogáveis são recrutáveis e podem até mesmo ser trazidos para a Casa Branca para fazerem melhorias em várias áreas, permitindo a aquisição de novos itens e melhorias.

Explorar uma Washington em ruínas oferece várias oportunidades de encontrar novas pessoas e se deparar com pontos de controle que estão em constante disputa. E apesar da capital dos EUA não ter uma atmosfera tão forte e uma vibe tão estranha quanto a Manhattan do jogo original, ela preenche essa lacuna apresentando mais razões para os jogadores explorarem e se engajarem nas missões paralelas do jogo.

Assim como no primeiro The Division, há hologramas que permitem que você reviva momentos das vidas de personagens de apoio. Enquanto no jogo original isso soava como algo unilateral, uma vez que essas figuras já estavam mortas bem antes de você chegar, muitas das pessoas de interesse de The Division 2 estão vivas e razoavelmente bem. E esses hologramas oferecem mais detalhes a respeito de suas conexões com outros personagens ao redor de Washington.

As coisas, entretanto, se tornam particularmente surpreendentes no final do jogo. É quando surge uma nova ameaça na forma da facção Black Tusk, levando a um endgame amplo que sacode as coisas. De maneira similar ao que acontece com os Hunters da atualização 1.8 de The Division, a Black Tusk é um grupo nômade que serve como antagonista da agência The Division. Em posse de um arsenal de tecnologia avançada e gadgets capazes de rivalizar com os seus, essa nova facção invade Washington e tenta retomar o controle de várias áreas da cidade – até mesmo das Zonas Cegas.

O fim é só o começo

Nas missões de fim do jogo que tivemos acesso, uma no Museu do Ar e Espaço e outra num bunker de emergência, a Black Tusk se mostrou uma força poderosa de enfrentar. Junta de robôs que parecem vindos do laboratório Boston Dynamics – exceto pelo fato de que eles têm armas – a facção do endgame de The Division 2 também usa mini-drones e conta com soldados que usam um armamento pesado e exigem do jogador tiros estratégicos para explorar seus pontos fracos.

No fim do jogo, você vai desbloquear novas especializações que melhoram o seu personagem e suas armas, como lançadores de granadas, rifles de precisão e bestas. Para conquistar recursos e equipamentos aprimorados, você terá que encarar missões bem mais difíceis do que as da campanha. E como já é padrão em se tratando de conteúdos de fim do jogo, você também vai repetir alguns objetivos mais antigos.

No endgame, todas as missões anteriores da campanha irão ganhar uma nova dificuldade que substitui os inimigos existentes pelos membros da Black Tusk. Para eliminar qualquer chance de a jornada ser repetitiva, as missões também tornarão aleatórios cada encontro com a Black Tusk, levando a diferentes lutas a cada jornada.

Essa nova facção também muda as Zonas Cegas. A dinâmica de PvPvE (jogador versus jogador versus ambiente) das Zonas Cegas foi melhorada na sequência. Em adição às três zonas separadas, o fim do jogo introduz uma Zona Cega Ocupada. A cada semana uma localização diferente será ocupada pela Black Tusk, e isso remove certas barreiras da versão base do PvPvE de The Division 2, como o balanceamento de nível e o fogo amigo.

Os conflitos com a Black Tusk nas missões que jogamos foram intensos e exigiram uma comunicação sólida do nosso time para que pudéssemos seguir em frente. No entanto, as missões também foram um pouco exaustivas, levando a momentos em que enfrentamos esquadrões se transformaram em verdadeiras esponjas de balas à medida que o confronto se afunilava.

Ainda que isso seja comum em conteúdos desse tipo de jogo, certamente prejudica o ritmo de missões até então emocionantes. Dito isso, fomos largados nessas missões por causa da demo, e elas vieram depois de jogarmos a campanha do jogo, um começo bem mais vivo. A dinâmica toda pode funcionar melhor depois que você já tiver investido horas e horas em The Division 2 até chegar a esse conteúdo.

Entretanto, isso também me lembrou de alguns problemas maiores de The Division – principalmente pela similaridade com o primeiro jogo. The Division 2 emula muitas coisas do seu antecessor e, apesar de algumas inovações serem mais atraentes e interessantes de se explorar, o ciclo repetitivo de buscar recursos e trocar tiros pode cansar, levando o jogador àqueles momentos de tédio ocasional que prejudicaram o primeiro jogo.

De qualquer forma, a pegada do endgame de The Division 2, apesar de alguns problemas, oferece um conteúdo mais convincente e que ficou faltando no lançamento do seu antecessor. Isso porque o jogo passa a tarefa de defender um lugar que você ergueu e investiu seu tempo ao longo de toda uma campanha – e que subitamente pode ser tomado por uma facção inimiga. Isso cria um senso de urgência na parte final do jogo, algo que certamente faltava no primeiro The Division.

A Ubisoft parece estar no caminho certo com The Division 2. Apesar de ser um game construído com muito do que veio antes, as novas funcionalidades parecem ser uma evolução natural da série com um gameplay renovado. A abordagem da publisher sobre esse beta fechado é uma boa forma de dar um novo gás a ambos os finais do jogo. Será interessante ver como os jogadores – até mesmo aqueles que perderam a renovação do jogo original – vão explorar isso.

The Division 2 é uma segunda chance à franquia, e espero que faça valer esse vigor renovado. O game chega em 15 de março para PlayStation 4, Xbox One e PC.

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